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Promotor diz em prova oral para o MP do Rio que penetração é a melhor parte do estupro

Jornalista denuncia que um membro do Ministério Público fluminense, o promotor Alexandre Couto Joppert, que desculpou-se após repercussão e disse basear a exposição em pensamento do criminoso
Publicado por Redação RBA
17:59
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Joppert: um dos supostos marginais ‘fica com a melhor parte, dependendo da vítima. A conjunção carnal’

São Paulo – O jornalista carioca Marcelo Auler publicou hoje (23) em seu blog denúncia de que um membro do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), o promotor Alexandre Couto Joppert, aborda com naturalidade o estupro coletivo, durante durante prova oral de concurso de ingresso na instituição. “Ao descrever uma situação fática de um possível estupro coletivo, foi mais do que infeliz na colocação que fez, afirmando que um dos supostos marginais ‘fica com a melhor parte, dependendo da vítima. A conjunção carnal’.”

A afirmação do promotor, que mostra o quanto a cultura do estupro está incorporada à cultura do país, provocou indignação em parte dos candidatos às vagas no MP-RJ. Junto com o texto, o jornalista divulga o áudio com a fala do promotor. A expressão “dependendo da vítima” foi interpretada, segundo ele, por quem estava presente, como relativa à beleza da mulher.

Auler destaca que o fato teve ampla repercussão no Facebook e “mereceu repúdio geral”. O jornalista repetiu o comentário de uma pessoa indignada: “(…) a cada 11 minutos uma mulher é estuprada no Brasil. E ainda assim, um integrante do Ministério Público, no exercício de função pública, acha razoável expressar esse tipo de comentário. Até quando a igualdade de gênero não será levada a sério?”

Eu quis dizer ‘a melhor parte’ não na minha ótica, obviamente. A melhor parte na ótica da mente doentia do criminoso”, disse o promotor hoje, ao ser procurado pela BBC. “Em todo estupro, o objetivo principal do criminoso, naquela patologia psíquica que ele tem, é alcançar a satisfação da sua lascívia. Como no estelionato a melhor parte é a obtenção da vantagem indevida”, afirmou ainda Joppert.

Confira o blog de Auler.

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